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Após fala nazista, Monark diz que estava bêbado e se demite do próprio podcast

Monark defendeu o "direito de ser anti-judeu" e alegou a "liberdade de expressão".

10 minutos lidos

O youtuber Monark, um dos donos e apresentadores do podcast e canal de youtube ‘Flow’ novamente foi o responsável por criar polêmica nas redes sociais ao dizer ser favorável a criação de um partido nazista reconhecido por Lei.

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Após ver a repercussão de suas falas, e perder patrocinadores, ou seja, ter uma perda financeira no podcast, o apresentador usou as redes sociais na tarde de hoje, 8, para se desculpar por suas declarações e alegou estar bêbado:

“Eu queria pedir desculpas. Eu errei, a verdade é essa. Eu estava muito bêbado e fui defender uma ideia, que acontece em outros lugares do mundo, nos EUA por exemplo, mas eu fui defender essa ideia de um jeito muito burro, eu estava bêbado, eu falei de uma forma muito insensível com a comunidade judaica. Peço perdão pela minha insensibilidade, mas peço compreensão, são quatro horas de conversa, fui insensível, sim.

Veja o vídeo:

Após a grande repercussão nas redes sociais, o Flow Podcast informou que Monark foi demitido. A demissão, aparentemente, é uma estratégia mercadológica, já que o youtuber é dono do podcast.

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ENTENDA O CASO:

A fala de Monark, que apoia a criação de um partido nazista no Brasil, aconteceu na noite desta segunda-feira, 7, durante uma entrevista com a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), e o também deputado federal e ex-bolsonarista, Kim Kataguiri (Podemos-SP).

Em um momento da entrevista, Monarque defendeu a “liberdade de expressão para o partido nazista”. Comparando a direita radical e o nazismo, ele alega que a “esquerda radical tem muito mais espaço do que a direita radical” e, na sua opinião, “as duas tinham que ter espaço”.

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Monark diz “Eu sou mais louco do que vocês. Eu acho que tinha que ter partido nazista reconhecido pela lei”, afirmou.

Indignada, a deputada interrompe a fala do youtuber e diz “Liberdade de expressão termina onde a sua expressão coloca a vida do outro em risco. O nazismo é contra a população judaica. Isso coloca uma população inteira em risco.”

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Monark, continua falando e afirma que “se um cara quisesse ser anti-judeu, eu acho que ele tinha o direito de ser”. Ele ainda pergunta para a deputada “Você vai matar quem é anti-judeu? (…) Ele não está sendo anti-vida, ele não gosta dos ideais” (referindo-se ao judaísmo).”

Tabata explica que o judaísmo não se trata de um sistema de ideais. “O judaísmo é uma identidade, uma religião, uma raça.”

Confira o vídeo:

REPERCUSSÃO:

As falas repercutiram na internet na noite de ontem e na manhã de hoje, 8, causando indignação. A página Judeus pela democracia falou sobre o caso e declarou que “ideologias que visam a eliminação de outros têm que ser proibidas”.

Ainda na manhã de hoje, perfis na internet divulgaram as marcas que patrocinam o podcast. Um dos perfis que pediu um posicionamento das marcas foi o paraense Tanto Tupiassu.

O vereador do Porto Alegre, Leonel Radde (PT), afirmou em suas redes que o youtuber e o deputado deveriam ter saído presos da transmissão.

Ao Belém Trânsito, o parlamentar falou sobre a preocupação com o avanço do fascismo no Brasil: “O absurdo envolvendo o deputado Kim Kataguiri e do youtuber Monark é mais um exemplo do avanço do fascismo no nosso país”.

Leonel falou ainda sobre a necessidade de se punir o crime de apologia ao nazismo. “Nós precisamos ter uma legislação antirracista que puna efetivamente aqueles que fazem apologia ao nazismo. Felizmente o Monark foi desligado do programa, mas ainda é muito pouco. Provavelmente daqui a pouco vai conseguir espaços em outros meios de comunicação e também vai ampliar seus seguidores, porque é assim que funciona o discurso de ódio”, explicou.

Radde pontutou ainda o aumento da atuação de grupos neonazistas no Brasil nos últimos anos. “Temos que combater esse tipo de prática e não permitir que ela permaneça avançando como a gente tem visto nos últimos tempos, com o aumento de mais de 270% dos grupos neonazistas que têm atuado cada vez mais livres no nosso país”, finalizou.

As marcas que antes anunciavam no “flow” começaram a divulgar o fim do vínculo e repudiar as falar de Monark

O Ifood encerrou o vínculo com o podcast durante outra polêmica do canal e reafirmou que já não tem ligação com Monark

Outros patrocinadores como a fabricante de chocolates detentora da marca Bis e o cartão de credito Flash também encerraram o vínculo.

POLÊMICAS ANTERIORES DE MONARK:

Em outubro do ano passado, outra polêmica já havia viralizado após o mesmo youtuber, o Monark, relativizar o racismo.

“Opiniões não matam. Vai ver no necrotério se alguém teve uma crise aguda de opinião e morreu. É a ação que faz o crime e não a opinião”. disse Monark.

Depois ele questiona “Opinião racista é crime”?

Foi durante essa polêmica que o “Flow” perdeu o patrocínio do Ifood. Irritado ele declarou: “Flow só perdeu patrocínio por que hoje as empresas de marketing morrem de medo dessa galera canceladora, minha opinião ainda é que liberdade de expressão é também permitir que ideias preconceituosas sejam expressadas até para que possam ser corrigidas”.

Ele também criticou o you tube sob a alegação de que coisas do tipo são “liberdade de expressão”

KIM KATAGUIRI DURANTE A ENTREVISTA:

Na mesma entrevista, o deputado ex-bolsonarita, Kim Kataguiri (Podemos-SP), disse que a Alemanha errou ao criminalizar o nazismo em 1945.

Ao falar sobre discriminação contra minorias, o deputado citou o exemplo do nazismo e disse que a ideologia não deveria ter sido criminalizada e sim“rechaçada pela sociedade”.

Justificando a fala, o deputado afirmou que ele afirmou que é necessário “expor a crueldade” para que seja jogado uma luz sobre o tema.

“Qual é a melhor maneira de impedir um discurso mate pessoas e que um grupo étnico racial morra? É criminalizar? Ou é deixar que a sociedade tenha uma rejeição social?”, disse o congressista.

PLATAFORMAS:

Plataformas como YouTube e Spotify ainda não se manifestaram quando questionadas sobre a razão de manter esse tipo de conteúdo sendo propagado no ar. Nas redes sociais, a pressão continua.

NAZISMO NO BRASIL:

Uma reportagem divulgada pelo programa de TV “Fantástico”, da TV Globo, mostrou em janeiro deste ano que Grupos neonazistas crescem 270% no Brasil nos últimos três anos. Atualmente há 530 núcleos extremistas no país, que reúnem até 10 mil neonazistas.

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