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‘Cada vez mais o Governo Federal é chamado para subsidiar o sistema’, diz Edmilson Rodrigues ao BT

Em entrevista, prefeito de Belém falou sobre o sistema de transporte da capital

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Foto: Reprodução

O prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, conversou com Mary Tupiassu para o quadro BT Entrevista e falou sobre a situação do sistema de transporte público da capital paraense. Para ele, o problema do transporte de Belém é estrutural. “É um problema estrutural. Cada vez mais o Governo Federal é chamado para participar, para subsidiar o sistema. Esse debate vem sendo feito há muito tempo, mas ganhou força tem três anos. Em 2019 eu era deputado e chegamos a debater o investimento de R$ 4 bilhões para serem repassados para as prefeituras, para elas ajudarem a mitigar o problema”, revelou ele.

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Edmilson enfatizou ainda que, com a pandemia, os gastos das empresas continuavam os mesmos enquanto o número de passageiros caía, e que esses fatores levaram à quebra de muitas companhias. “Com a pandemia, não tinha Universidade, não tinha escola privada ou pública funcionando. Você via muito ônibus vazio, mas o gasto era o mesmo. Com motorista, cobrador, pneus, peças. Isso implicou na quebra de empresas. E isso é um problema real”, afirmou.

Escolas vazias ajudaram a aumentar a crise dos transportes. Foto: Reprodução.

O prefeito falou ainda sobre as situações de Outeiro, Mosqueiro e Benevides, que tem o transporte sendo executado pela mesma empresa e vem apresentando falhas que dificultam a rotina dos passageiros. “Eu tive que suspender a empresa que atuava ali em Outeiro por dois meses, só que ela não tem condição de voltar. Porque é a mesma que está fazendo Mosqueiro e hoje mesmo eu recebi a prefeita de Benevides que não aguenta mais, porque é a mesma empresa. E ela não dá conta. A culpa é da empresa? Não necessariamente. A crise do sistema é muito profunda”, contou Edmilson.

LICITAÇÃO

Tempo de licitação gera dificuldades. Foto: Reprodução.

Sobre o processo de licitação do transporte público de Belém, o prefeito afirma que o tempo de seis anos estabelecido dificulta que empresas ou consórcios invistam em estrutura. “A Câmara aprovou seis anos de contrato. Você compra um ônibus hoje por R$ 1 milhão, se for ônibus alongado para substituir os articulados você já vai gastar R$ 1,5 milhão. Se você compra, em uma frota metropolitana, dois mil ônibus, estamos falando de R$ 2 a R$ 3 bilhões de investimento. Qual é a empresa ou consórcio de empresas que vai emprestar esse valor se a lei municipal diz que o contrato é de apenas seis anos?”, indagou o prefeito.

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Edmilson afirma que a lei precisa ser mudada para que avanços sejam feitos. “Nós temos que mudar a lei, mas o debate com a Câmara não avançou nesse sentido. Para licitar precisamos de um prazo mais elástico, para dar condição e interesse. Se nós tivéssemos pelo menos 10 anos, seria razoável. 12 anos, quem sabe”, especulou ele.

Confira o trecho da entrevista com o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues.

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