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Juliano Medeiros em entrevista ao BT: uma chapa Lula/Alckmin não faz sentido para transformar o Brasil

O presidente do PSOL nacional falou com Mary Tupiassu sobre relação com Belém, eleições 2022 e criticou duramente uma possível aliança de Lula com Alckmin

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Gaúcho de Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul, Juliano Medeiros foi eleito pela segunda vez presidente nacional do PSOL. Depois de conquistar a liderança do partido em 2017, Juliano repetiu o feito em 2021. Formado em História pela Universidade de Brasília (UnB), onde também fez mestrado na área e doutorado no Instituto de Ciência Política, Juliano é um defensor da unidade da esquerda nacional. Ele conversou com Mary Tupiassu para o quadro “Incomoda!” do BT, e falou sobre a sua identificação com Belém. “Eu comecei a ouvir falar de Belém no governo do Edmilson Rodrigues. Muita gente do PT comparava o governo dele com muitas experiências do próprio PT. Diziam ‘olha, governo de esquerda mesmo é o Edmilson! Quem combate os privilégios, e cuida dos mais pobres é o do Edmilson’. E começou a se criar na minha cabeça esse imaginário de como era esse governo de Belém”, relembrou ele.

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Edmilson Rodrigues e Juliano Medeiros. Foto: Reprodução.

Condecorado cidadão de Belém em uma decisão muito questionada na câmara dos vereadores de Belém pela oposição, Juliano alega que quem agiu contra são aqueles que defendem a injustiça, o conservadorismo e a ampliação de direitos. “Eu achei um pouco engraçado, porque eu nunca fiz mal nenhum pra Belém, muito pelo contrário. A minha relação com a cidade nesses anos todos tem sido fortalecer uma alternativa de esquerda, aqueles que defendem mais direitos, a democracia.”, definiu ele.

COMUNISMO

Questionado se o Brasil já havia, em algum ponto, chegado perto de ser comunista, Juliano, de forma divertida, afirmou que o país nunca “triscou” na possibilidade. “Primeiro de tudo, não existe uma experiência comunista desenvolvida pela humanidade. A União Soviética não era comunista, Cuba não é comunismo, Coreia do Norte não é comunismo, China não é comunismo. Essas são experiências socialistas, ou pós capitalistas, existem muitos conceitos. O Brasil também nunca foi socialista. A experiência de maior enfrentamento que a esquerda brasileira desenvolveu no poder contra as elites foram as reformas de base do João Goulart”, disse Juliano.

ELEIÇÕES 2022

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Juliano foi questionado ainda sobre a possível rejeição do PSOL à chapa Lula/Alckmin nas eleições presidenciais de 2022, e afirmou que é uma chapa que “não faz sentido para o Brasil”. “É posicionamento do PSOL que uma chapa Lula/Alckmin não faz sentido para transformar o Brasil. Hoje, nossa prioridade é a construção de uma unidade da esquerda. E o Alckmin não é de esquerda. Então nós temos um problema e vamos ter que discutir o que fazer”, declarou.

Luiz Inácio Lula da SIlva e Geraldo Alckmin. Foto: Reprodução.

Juliano afirmou ainda que o apoio à chapa depende do que irá ser defendido por ela. “Se é possível nós estarmos numa frente com o Lula mesmo o Alckmin sendo vice? Isso vai depender do que essa frente vai defender. Porque se ela defender reforma tributária e fiscal, taxação dos super ricos, reversão das medidas que foram tomadas contra os trabalhadores e trabalhadoras nos últimos anos, aí é uma frente de esquerda e a contradição é do Alckmin de estar com a gente”, disse ele. 

Quando perguntado se a presença de Geraldo Alckmin ajudaria em uma luta contra o bolsonarismo, Juliano discordou da teoria. “Em primeiro lugar, a luta contra o bolsonarismo não pode ser encarada como uma luta apenas contra um sujeito autoritário. O bolsonarismo  não é só uma postura diante da democracia, mas também diante dos direitos. Bolsonaro é contra os direitos do povo brasileiro. Como o Alckmin e o seu partido se posicionaram diante dessa agenda econômica? Votando junto com o Bolsonaro. Então eu não posso acreditar que eu vou derrotar o bolsonarismo votando em quem sustentou e sustenta, ainda hoje, as mesmas posições. Em segundo lugar, eu compreendo a comparação que muita gente tem feito com a vitória do Lula em 2002, com José de Alencar como vice. A questão é que o José não era um político conservador que tinha governado São Paulo e reprimido estudantes, professores e outros atores sociais.”, destacou Juliano.

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Quando questionado se as alianças feitas por Gabriel Boric , eleito presidente do Chile, eram semelhantes, Juliano rechaçou a ideia. “No primeiro turno o Gabriel fez aliança com o partido comunista. No primeiro turno não teve aliança com partidos conservadores. Quanto ao Alckmin, ele é da Opus Dei, a organização mais obscurantista que existe na Igreja católica. Ele defendeu que a Polícia Militar repreendesse brutalmente os movimentos sociais em São Paulo. Ele comemorou quando a polícia de São Paulo se tornou a mais letal do país. Se isso não é ser um político conservador, eu não sei o que é”, definiu.

Confira na íntegra a entrevista feita com Juliano Medeiros.

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