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MoviMente | Pergunte à Psi: Juliana Galvão fala sobre Depressão

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Quintou e hoje não trago soluções da NASA, nem seu amor de volta, mas trago respostas ao que vocês perguntaram semana passada. Lembrando que o tema é Depressão.

Antes de tudo, importa entendermos o que é a Depressão. Para isso, vou trazer um trecho de um artigo bem informativo que vais encontrar no portal da Organização Pan-americana de Saúde (paho.org.br): “A depressão é um transtorno comum em todo o mundo: estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram com ele. A condição é diferente das flutuações usuais de humor e das respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou grave, a depressão pode se tornar uma crítica condição de saúde. Ela pode causar à pessoa afetada um grande sofrimento e disfunção no trabalho, na escola ou no meio familiar.”.

Importa lembrar: Depressão não é falta de Deus. Depressão não é frescura. Dito isto, vamos às dúvidas de vocês.

Depressão Persistente:

Que hábitos devemos ter para ter qualidade de vida e diminuir as crises? Existem algumas classificações para a Depressão. Mas, para facilitar o entendimento, vou associar aqui a doença a um espectro de cores, onde podes enxergar diferentes tons, dos mais claros aos mais escuros. Sendo assim, a Depressão pode ter uma manifestação mais curta e episódica ou pode permanecer por um longo período da vida. Nesse caso, além da orientação e acompanhamento profissional, idealmente com uma equipe multiprofissional que inclua psiquiatra e psicólogo, podes realizar atividades alternativas que facilitem o manejo da rotina com a doença, tais como atividade física (academia, ar livre, dança, pilates, por exemplo), exercícios de meditação e/ou respiração (já existem aplicativos para te ajudar aqui), boa leituras, escrever sobre teus sentimentos (fazer algo como um diário de sentimentos). Não há regra. Então, experimente e descubra quais alternativas fazem sentido para você. Se não rolou legal com uma, tenta outra(s).


“Quero parar de me sentir assim”.

Imagino tua angústia. Uma grande dificuldade na Depressão é a não sincronia que pode acontecer entre o que queres sentir e o que de fato tu sentes. E isso traz ainda maior perturbação a quem convive com a Depressão. Importante procurar orientação profissional com psiquiatra e psicólogo. Além disso, pesquise e leia sobre a doença. Isso pode te tirar muitas dúvidas e facilitar teu entendimento sobre o que sentes. O estigma da depressão é outro agravante. A falta de informação pode piorar um quadro depressivo. Informe-se e veja que há milhões de pessoas que enfrentam essa dificuldade, sofrem e querem melhorar a vida. Busque pessoas do seu ciclo familiar ou de amizade que possam te acompanhar numa consulta com psicólogo ou psiquiatra (pode ser bem difícil ir sozinho). Depressão tem tratamento.


“É normal a pessoa achar que atrapalha a vida de todo mundo que está próximo?”

Não é um sentimento bom, né? Independente de ser “normal” ou não, é incômodo. Nesse caso, vale você se perguntar se sempre sentiu isso, se essa percepção está baseada em observação de fatos (de algo que realmente aconteceu) ou se está acontecendo uma interpretação errada de sua parte por (talvez) um problema de autoestima que esteja enfrentando. Isso pode ser um sintoma de episódio depressivo, também. Aqui recomendo novamente a orientação com um profissional de saúde mental, psicólogo e/ou psiquiatra. A psicoterapia é um caminho libertador para você se conhecer e entender melhor suas relações.


“Como eu, que convivo diretamente com uma pessoa com depressão, posso ajudá-la?”

Pergunta maravilhosa. De forma geral, as pessoas se preocupam muito em falar. Mas, aqui o principal é se disponibilizar a ouvir. Isso mesmo. Seja sincero sobre suas intenções de ajudar. Você pode inclusive dizer que não sabe o que fazer, mas que gostaria de ajudar. Mostre-se presente. Agora cuidado. Respeite o tempo e o silêncio, que é algo vivido por quem enfrenta a Depressão. Claro que isso causa preocupação. Mas, deixe a pessoa informada de que você está por perto e que deseja ajudar, caso ela necessite, ela vai te procurar. A esteja disponível e atento ao pedido de ajuda do outro, porém, procure não ser invasivo. Desafiador sim. Mas, importante!

E por falar em importante: caso você, ou alguém que conheça, vivencie um forte momento de angústia, há um serviço gratuito e disponível 24 horas por dia. O CVV (Centro de Valorização da Vida) disponibiliza serviço de escuta, por telefone ou chat (telefone 188 e o chat no site cvv.org.br).

MANDE SUA PERGUNTA:

Outras questões que vocês encaminharam serão incluídas nos próximos conteúdos do Pergunte à Psi, conforme a temática semanal proposta. Por falar nisso, semana que vem o assunto é Ansiedade. Manda lá tua dúvida na caixinha do BT.
Até quinta.

MAIS CONTEÚDO

Ouça o podcast da psicóloga Juliana Galvão no Spotify clicando aqui.

Juliana Galvão – Psicóloga Crp 10/3645

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